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Escolas de samba dão aula sobre cultura e história do Brasil

Historiador mostra como os desfiles podem ser aproveitados para ensinar história, sociologia, arte —e até português

26/02/2023 08h43


Escolas de samba dão aula sobre cultura e história do Brasil

Passista da escola São Clemente em desfile realizado no Rio de Janeiro

Neste final de semana, as escolas de samba campeãs no Rio de Janeiro e em São Paulo voltam à avenida com seus desfiles vencedores. Além de nos trazer emoção e diversão, os temas que vestem fantasias e sambas-enredo também têm muito a ensinar sobre arte, história e a diversidade do nosso povo.

Para o historiador Luiz Antonio Simas, o que se passa na avenida tem grande potencial pedagógico. “Os enredos, o cortejo dramático, a dramaturgia de um desfile de escola de samba podem colocar uma série de questões vinculadas à história do Brasil, à cultura brasileira”, afirma ele em entrevista ao site Porvir.

Simas, que neste foi homenageado pela escola de samba carioca Acadêmicos da Abolição, afirma que os desfiles nos ajudam a analisar a história e refletir sobre questões atuais, como o racismo, a intolerância religiosa e o preconceito. 

E dá um exemplo. “Em 1960, a Acadêmicos do Salgueiro fez o enredo ‘Quilombo dos Palmares’, contando a história antes que ela chegasse aos livros didáticos”.

Por sua vez, em 2023 a Beija-Flor de Nilópolis cantou narrativas sobre o processo de independência do Brasil com a referência do 2 de julho baiano, a guerra de independência da Bahia.

Uma festa que atravessa várias disciplinas

Simas também destaca o papel educativo das fantasias. No caso do bloco Cacique de Ramos, do Rio de Janeiro, o costume de usar trajes indígenas está intimamente ligado às origens em um espaço consagrado ao orixá Oxóssi e ganha uma dimensão diferente, de respeito aos povos tradicionais. 

“O Cacique de Ramos louva os caboclos, Oxóssi e os povos das florestas, homenageando os povos originários”, explica.

Outro ponto ressaltado pelo historiador é o de que o carnaval se manifesta como uma festa de construção de sentido coletivo da vida. “Isso é muito importante, especialmente em uma sociedade que tende a nos individualizar”.

Tudo isso, em sua visão, torna o carnaval um elemento importante para a educação ao misturar história, sociologia, filosofia, arte, geografia e até mesmo língua portuguesa —por que não usar um samba-enredo para estudar português? 

“Nós podemos dar aula de história, de geografia, de sociologia, de filosofia, de artes, de língua portuguesa, de literatura tendo como referência o carnaval. É um tema que apresenta uma transversalidade para quem trabalha com educação.”